02 abril 2007

OTA

Consideremos:

  1. A necessidade dos empresários da construção civil de terem grandes projectos para poderem viver condignamente.
  2. A necessidade do partido do governo de verbas para campanha eleitoral nas duas seguintes eleições legislativas.
  3. A necessidade do governo de apresentar bons resultados do emprego antes de eleições.

São considerações suficientemente fortes para cimentar a união de interesses entre empresariado da construção civil e decisores políticos.

São factos suficientemente pesados para passar por cima de tudo, incluindo eventuais alternativas mais baratas, com menores problemas técnicos e de mais rápida execução.

Temos de concordar que o interesse nacional pode revelar-se não ser suficientemente importante, quando comparado com interesses particulares e de clientela política. Daqui só pode resultar aeroporto na Ota.

Quando a ANA e a TAP forem privatizadas haverá champanhe por bons negócios para algum empresariado. Quando, mais tarde, a ANA e a TAP forem vendidas ao capital estrangeiro, voltará a haver champanhe por bons negócios. Quando numa época de crise, como acontece por vezes, essas empresas encerrarem (vejam Sorefame, Lisnave, etc.), não tem importância porque os órgãos de comunicação haverão de ocultar as responsabilidades pelo empobrecimento do país. Precisamos de ter em atenção que o capital detido pelo nosso empresariado é diminuto quando comparado com o capital internacional e que, nessas circunstâncias, as fugas para o estrangeiro e encerramentos são cenários mais que hipotéticos.

Quando daqui a 30 anos, segundo os estudos realizados, o aeroporto na Ota estiver irremediavelmente superlotado e sem possibilidade de expansão, ninguém já se lembrará de Sócrates.

Nessa altura, filhos ou netos de Sócrates negociarão novo aeroporto, talvez no Poceirão, com lucro seguro para ambos, num país sob administração espanhola, da CE ou da ONU. Só este parágrafo é irónico, sendo no entanto tão sério como os outros.